TENS: o que é esse tratamento?

A dor é um dos principais motivos que faz com que muitas pessoas procurem pelo auxílio da fisioterapia. Ela pode ser crônica, advinda de uma lesão ou luxação, pós-cirúrgica ou causada por doenças, como o câncer. Para a grande maioria delas, contudo, existe uma forma de conseguir alívio. Estamos falando do uso do TENS.

Popularmente conhecido pelos pacientes como o “aparelho que dá choquinhos”, o uso do TENS é muito comum para diversos tratamentos, com resultados interessantes no alívio da dor e, claro, na recuperação do paciente.

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O que é o TENS?

TENS é a sigla para “transcutaneous electrical nerve stimulation”, ou em português, “neuro estimulação elétrica transcutânea”. Ele faz parte dos tratamentos utilizados na eletroterapia, uma técnica conhecida desde o século 16 e usada para aliviar diversos tipos de dores.

No TENS, a estimulação elétrica é galvânica, e para isso é usado um pequeno dispositivo elétrico capaz de controlar a intensidade dos estímulos. O paciente recebe pequenos eletrodos (que ficam grudados na pele da região da dor), permitindo que a corrente consiga chegar até os músculos.

O fisioterapeuta poderá escolher entre usar frequências altas ou baixas. No caso das frequências altas, o estímulo precisa ser direcionado às fibras nervosas sem dor, fazendo com que a estimulação elétrica bloqueie os sinais nervosos de dor que são enviados pelo cérebro. Nessas situações, os estímulos podem ser feitos por períodos mais longos, contudo o alívio da dor tem uma duração menor.

Já para as frequências baixas, os impulsos elétricos visam estimular o corpo a produzir mais endorfina, levando também ao alívio da dor. Embora nesses casos o resultado seja mais duradouro, a aplicação pode ser mais desconfortável para o paciente, e por isso o tempo máximo deverá ser de 30 minutos.

Vale salientar ainda que o TENS deverá ser usado dentro de um tratamento multidisciplinar que vise não apenas atenuar as dores do paciente, mas sim reabilitá-lo, impedindo e curando o fator causador da dor. Por isso, podem ser necessárias outras técnicas, como cinesioterapia, alongamentos, exercícios de fortalecimento muscular e também o uso de medicamentos específicos indicados pelo especialista.

Quais tratamentos podem ser beneficiados com o uso do TENS?

Embora o TENS seja muito indicado para o tratamento da dor, não são todos os pacientes que podem ser submetidos a ele. É essencial que o fisioterapeuta faça uma avaliação minuciosa de cada caso, buscando entender o fator causador da dor. Algumas indicações para o uso do aparelho são:

  • tendinites;
  • dores no pescoço;
  • reumatismo;
  • dor óssea ou nervosa;
  • entorses e luxações;
  • dor pós-operatória;
  • lumbago;
  • dorsalgia;
  • ciática;
  • dor causada pelo câncer.

O ideal é que o TENS seja usado na primeira fase de reabilitação do paciente, ou seja, quando ele está apresentando crises de dor, já que neste período os músculos estão contraídos de forma mais intensa, levando a dor aguda.

O funcionamento do TENS

Para entender as indicações do uso do TENS é preciso, primeiro, compreender como ele funciona. A principal forma de uso do TENS é por meio da ativação do sistema supressor da dor. Assim, estimulando-se as fibras aferentes grossas é possível notar uma inibição nas respostas nociceptivas do corno posterior da medula espinhal.

Ou seja, as correntes elétricas são transmitidas por via nervosas rápidas que conseguem conduzir informações da medula ao cérebro, enquanto os estímulos de dor são transmitidos por vias nervosas lentas.

Desse modo, o estímulo elétrico consegue chegar mais rápido à medula, bloqueando a transmissão do estímulo de dor. Além disso, o uso do TENS ainda estimula a liberação de analgésicos fabricados pelo nosso próprio organismo, como as encefalinas e as endorfinas.

Por essas características é que o TENS costuma ser mais indicado para casos de dor aguda e localizada (como lombalgias, entorses, luxações, fraturas, artralgias, síndromes dolorosas, dor oncológica ou pós-operatória), sendo que em algumas situações também é possível ter melhora na dor causada pela neuropatia diabética.

O uso do TENS junto de outras técnicas

Um problema que infelizmente pode acontecer muitas vezes é o uso indiscriminado do TENS, sem o auxílio de outras técnicas de fisioterapia, visando apenas reduzir a dor do paciente, mas não tratar a sua causa e oferecer uma reabilitação completa.

Por exemplo, em um caso de síndrome da banda iliotibial (um problema que costuma afetar muitos corredores, causando dores na lateral do joelho). A síndrome, normalmente, é causada devido a um enfraquecimento da musculatura lateral do quadril, além de um possível desalinhamento do joelho durante a corrida.

Se o fisioterapeuta optar exclusivamente pelo uso do TENS, ele apenas conseguirá reduzir a dor do paciente, mas não tratará a causa e assim que ele for liberado da fisioterapia, o problema retornará.

Nesse caso, é preciso que outras técnicas sejam aliadas, como o ultrassom para reduzir a inflamação, o fortalecimento da musculatura e o uso de exercícios educativos para que o paciente consiga corrigir o desvio do joelho durante a sua corrida.

Esse é apenas um exemplo do quanto uma avaliação completa é extremamente importante, junto do conhecimento preciso de cada uma das possibilidades fisioterápicas.

Quais são os parâmetros para a aplicação do TENS?

Na hora de fazer o uso do TENS é importante seguir alguns parâmetros básicos, garantindo a eficiência do tratamento e, claro, a segurança e o conforto do paciente. São eles:

  • a duração dos pulsos (que podem ser T ou D);
  • a frequência dos pulsos (R), que variam de 1 a 150 Hz;
  • a intensidade dos pulsos, que precisa ser ajustada de acordo com a sensibilidade de cada paciente. É normal que, após algum tempo de tratamento, o paciente sinta que a intensidade diminuiu, podendo ser novamente reajustada.

Os eletrodos também precisam ser posicionados adequadamente, podendo ser colocados diretamente no local da dor, ao lado da ferida cirúrgica (criando uma corrente cruzada) ou no trajeto do nervo. O importante, contudo, é evitar o seu uso nas proeminências ósseas.

Quanto à estimulação, o TENS poderá ser:

  • convencional: frequência alta e estimulações para fibras de grande diâmetro, para dores agudas;
  • acupuntura: baixa velocidade, indicada para dores crônicas. Atua recrutando fibras motoras e sensitivas;
  • breve e intenso: intensidade e frequência altas para um alívio imediato da dor;
  • burst: atua em formas de rajadas de pulso e indicadas para dores subagudas ou para estimulação muscular.

Vale lembrar que, como todos os tratamentos, o TENS também tem contraindicações, não sendo recomendado para grávidas, pessoas que usam marca-passo ou pacientes com distúrbios dos ritmos cardíacos.

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