Prevenindo lesões no músculos isquiotibiais

Estatisticamente, os estiramentos na parte posterior da coxa (isquiotibiais) são uma das lesões de tecidos moles mais comuns em todos os esportes. Este tipo de lesão é frequentemente citada como uma das mais vistas quando se fala em recidiva.

Anatomia dos Isquiotibiais

Este grupo é composto de 4 músculos: Semimembranáceo, Semitendíneo e as cabeças longa e curta do Bíceps Femoral.

O semitendíneo e o semimembranáceo se originam na parte posterior da tuberosidade isquiática, inserindo-se distalmente na parte medial da tíbia e na fáscia poplitea.

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O bíceps femoral é dividido em cabeças longa e curta, tendo diferentes inserções e fibras em diferentes direções. A cabeça longa tem a origem proximal no parte lateral-posterior da tuberosidade isquiática e ligamento sacrotuberoso, enquanto que a cabeça curta se origina na linha áspera e crista supracondilar lateral do fêmur. Ambos se misturam, se inserindo distalmente no processo estilóide da fíbula e côndilo lateral da tíbia, correndo diretamente no ligamento colateral lateral do joelho.

Função dos Isquiotibiais

Funcionalmente, os ísquios agem como estabilizadores excêntricos do joelho e da articulação sacroilíaca, e como sinergistas concêntricos de extensão do quadril.

Primariamente, os músculos semitendíneo e o semimembranáceo agem como estabilizadores excêntricos do joelho durante a porção inicial da fase de apoio na marcha, fazendo uma co-ativação para limitar uma translação anterior da tíbia, juntamente com o músculo poplíteo e o ligamento cruzado anterior. Além disso, eles também agem como sinergistas, assistindo os glúteos na extensão do quadril.

O bíceps femoral serve como um importante desacelerador excêntrico da extensão do joelho durante a fase de balanço da marcha. Além disso, por causa da sua inserção na tuberosidade isquiática, o bíceps femoral ajuda a estabilizar a articulação sacroilíaca através de uma contração isométrica durante o contato do pé com o solo.

Fatores de Risco

Dentre os fatores de riscos, as características próprias dos músculos desempenham um importante papel. O desequilíbrio muscular, comparando os dois lados do corpo e a relação entre Isquiotibiais e Quadríceps é um dor fatores encontrados.

O gesto do atleta também é um fator predisponente de lesão. A inclinação anterior da pelve, durante a aceleração na corrida, aumenta a tensão sobre a musculatura. O encurtamento do iliopsoas e o desequilíbrio da musculatura abdominal e lombar também podem promover uma anteversão da pelve, e colocar o grupo muscular em desvantagem mecânica por aumentar a tensão muscular no fim da fase de balanço da marcha.

As lesões são mais comuns nas competições do que nos treinamentos e atletas que devido a suas posições desempenham corridas, também sofrem um maior risco. No futebol, as lesões no lado dominante têm maior gravidade, pois estão correlacionadas com o movimento do chute.

A lesão prévia é o fator de risco mais correlacionado com novas lesões. A recidiva da lesão, após o retorno ao esporte, permanece como a principal complicação dessa patologia. Taxas de relesões são relatadas entre 14-63% em até dois anos após a primeira lesão.

Sinais e Sintomas

A gravidade dos sintomas irá se apresentar de acordo com as características da lesão, que podem variar desde um estiramento das fibras musculares a uma avulsão dos tendões. Entretanto, independentemente do grau da lesão, as lesões são muito mais comuns proximalmente do que distalmente, sendo a cabeça longa do bíceps femoral o músculo (CLBF) mais frequentemente lesado.

O paciente pode apresentar: dor local, hematoma, perda de função, dor para contrair a musculatura acometida e, em lesões mais graves, pode ser possível palpar o GAP (espaço entre as fibras lesionadas).

Prevenção

Visto a alta taxa de incidência e recorrência da lesão e o tempo de afastamento da prática esportiva, a prevenção de uma lesão primária ou da recidiva da lesão é fator fundamental para atletas que pratiquem modalidades esportivas relacionadas ao mecanismo de lesão. Um programa de prevenção irá variar de acordo com o gesto esportivo e, geralmente inclui um protocolo de exercícios.

Vários autores já mencionaram o exercício Nórdico como parte integrante do programa preventivo de jogadores de futebol.

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O resultado mostrou que, a inclusão do exercício nórdico, reduziu em até 51% a incidência da lesão muscular de posteriores da coxa nesses atletas.

O exercício nórdico trabalha a fase excêntrica da contração desse grupo muscular, fase onde a musculatura está mais suscetível, como mencionado anteriormente.

Sabendo disso, a inclusão desse exercício no programa de treinamento deve ser feito por parte da equipe de treinamento. Além disso, para programas de reabilitação dessas lesões, o exercício nórdico também deve ser incluído na fase final de tratamento e mantido após a alta, de maneira a diminuir os riscos de recorrência da lesão.

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