Fortalecimento dos pés reduz a incidência de lesões nos membros inferiores

A estabilidade do pé está dependente de três sistemas essenciais: sistema ativo (músculos intrínsecos e extrínsecos do pé), sistema passivo (ossos, ligamentos, aponevrose e cápsula articular) e sistema neural (recetores musculares, recetores ligamentários e recetores cutâneos) e é essencial que os arcos do pé possam ter a estabilidade necessária para promover uma descarga do peso corporal ótima, mas simultaneamente possam ser “deformados” durante as atividades dinâmicas.

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A incapacidade de criação de uma estabilidade central, poderá ser responsável por um mau alinhamento do sistema passivo o que gerará um padrão de movimento “anormal” que poderá ser o fator causal de lesões não traumáticas e de sobre-uso no membro inferior. Por norma, e uma vez que são os músculos geradores de movimento os que se lesionam com maior frequência, é neles que nos focamos e que reúnem a nossa atenção. Há que ter o foco no alinhamento inicial das estruturas, pois se o mesmo não for o correto, todo o movimento será “disforme” e compensado desde a fase inicial.

Fortalecer e melhorar a sustentação dos arcos plantares pode influenciar na força e transferência de energia dos membros inferiores.

Os músculos locais e globais controlam a forma e a função do arco. Os músculos locais são principalmente os estabilizadores, conhecidos como os músculos intrínsecos do pé e são menores na área da seção transversal. Os músculos globais, são principalmente os motores principais do pé e são maiores na área da seção transversal. A cada passo ao andar, e passada na corrida, os estabilizadores locais do pé funcionam para controlar, a quantidade e a velocidade de deformação do arco. A disfunção desses músculos, pode resultar num arco instável e movimento anormal do pé. Deformação excessiva do pé, tem sido associada a fascite plantar e outras lesões nos membros inferiores.

Extensão do hálux e o mecanismo de molinete

Hicks (1954) discutiu 4 observações fundamentais sobre o que deveria normalmente ocorrer no pé durante a descarga do peso corporal quando a primeira articulação metatarsofalângica (MTF) entra em extensão:

  1. Aumenta a altura do arco medial longitudinal.
  2. Inversão do calcâneo.
  3. Rotação externa da perna (tíbia e fíbula).
  4. Surge uma banda rígida (a aponeurose plantar).
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mecanismo de molinete, ou movimento do arco medial longitudinal, se refere à função da anatomia na base do pé, especificamente a aponeurose plantar, ossos sesamóides, bases dos metatarsos e a inserção dessas estruturas sob a articulação metatarsofalângica (MTF).

O termo “molinete” na realidade é usado na navegação significando transportar ou levantar algo através desse mecanismo.

O resultado destes ossos se movendo juntos é a elevação dos metatarsos formando o ápice de um triângulo e resultando na elevação do arco medial longitudinal.

À medida que aumenta a extensão na 1ª articulação MTF a altura do arco medial longitudinal também aumenta e enrijece a aponeurose plantar (fáscia plantar).

Quando o pé está apoiado no chçao, sem extensão do hálux, a tensão na aponeurose plantar se reduz e o pé é capaz de absorver choque e se adaptar ao terreno através da supinação ou pronação do mediopé, dependendo da demanda.

Algumas pessoas têm movimento imediato quando o hálux estende enquanto outras têm movimento atrasado do arco. Ambos comportamentos são diferentes do padrão normal.

Como testamos o Mecanismo de Molinete?

Extensão do hálux durante a descarga de peso.

Você pode usar o teste do molinete para examinar a quantidade de extensão do hálux durante a descarga de peso ao levantar o hálux e avaliar o impacto que isso tem no arco.

Em pacientes com fascite plantar, este teste é considerado positivo se reproduz dor no tubérculo calcâneo medial.

Independente de se ter ou não fascite plantar, este teste irá lhe dizer se o movimento do arco medial longitudinal é normal, precoce ou atrasado.

Outros fatores a se considerar:

  • Amplitude da dorsiflexão do tornozelo na descarga de peso.
  • Força muscular e resistência do tibial posterior. O maior suporte ativo do arco medial longitudinal é o tibial posterior, que age excentricamente durante a fase de absorção de impacto da marcha para prevenir o colapso do arco e eversão do pé
  • Ângulo do retropé/calcâneo. É importante para o retropé se mover a partir da supinação para a pronação e de volta à supinação. Entender a posição de partida e o movimento do calcâneo durante a flexão plantar com a extensão do hálux irá guiar nosso entendimento de como o arco medial se comporta durante a marcha.
  • Palpação – da 1ª articulação metatarsofalângica (MTF), da aponeurose plantar e dos tecidos moles dos arredores.

Onde deve ser Direcionado o Tratamento?

Rigidez na panturrilha, tendão calcâneo, mobilidade do tornozelo e na dorsiflexão do hálux são fatores de risco para a sobrecarga da fáscia plantar, dos pés e do membro inferior como um todo.

Exercícios de encurtamento dos Pés

O objetivo do exercício do encurtamento dos pés, é como o nome indica “encurtar” o pé (short foot), contraindo os músculos intrínsecos para elevar o arco longitudinal medial. Ou, numa linguagem mais científica, puxando a primeira articulação metatarsofalângica em direção ao calcâneo (osso do calcanhar). Deve-se ter cuidado para garantir que o pé esteja em alinhamento neutro, e que os dedos não fiquem flexionados ou estendidos.

Inicialmente deve-se fazer estes exercícios sentado, e posteriormente deve-se progredir para pé bilateral, pé unilateral, em seguida, para atividades funcionais. Como agachamento, deadlift, lunges, entre outros. Também é de salientar que o ideal é estar descalço, aumentaria a detecção sensorial de entrada da superfície plantar do pé, e ajudaria a desenvolver a sensação de criar a postura do encurtamento do pé.

Exercícios para fortalecimento do arco do pé

Estes exercícios podem ser realizados diariamente, (por exemplo, “encurtamento do pé”, extensão do dedo do pé e prensas dos dedos grandes) e exercícios que podem ser realizados 2 a 3 vezes por semana (por exemplo elevação dos calcanhares, e agarrar com os dedos dos pés)

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“Encurtamento do pé”

Sente-se em uma cadeira com os pés descalços. Forme um ângulo de 90 graus nos joelhos e tornozelos. Sem esmagar os dedos dos pés, tente encurtar o pé, ou seja, os arcos dos pés. Pode se concentrar num pé de cada vez ou fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Tente não enrolar ou estender os dedos dos pés e mantenha o pé neutro. É mais difícil do que se imagina! Pode até praticar sentado em qualquer lugar. Quando se sentir confortável com este exercício, tente realiza-lo de pé sobre as duas pernas, em seguida, em uma perna.

Afastamento dos dedos dos pés

Tente afastar os dedos uns dos outros, mas tenha cuidado para não enrolá-los ou estendê-los. Se tiver oportunidade, vá praticando durante o dia.

Pressão do dedo grande do pé

Pressione o dedo grande do pé no chão, enquanto estende os outros quatro dedos. Aguente cada pressão por 8 segundos e faça 12 a 15 repetições por pé.

Balanço sobre os pés

Fique apoiado numa perna com os pés descalços e tente criar a postura do pé curto. Balance a perna sem apoio para a frente e para trás 15 vezes. Sem descanso, balance a mesma perna para a esquerda e para a direita na frente da perna de apoio, também 15 vezes. Repita esta sequência sem descansar, depois repita na perna oposta.

Elevação com apoio nos dedos dos pés

Comece descalço apoiando apenas os dedos dos pés, na ponta de um degrau de uma escada, ou numa caixa. Ou em outro local onde possa apoiar apenas os dedos dos pésMantenha o tronco reto, e eleve-o apenas com a força dos dedos dos pés. Volte a posição inicial e repita e movimento, faça 10 a 15 repetições, esteja à vontade para se agarrar a algo para se equilibrar. Este é um exercício, que muita gente não consegue realizar sem apoio para não se desequilibrar.

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